A mineração de bitcoin gera milhares de dólares ao redor do mundo, mas também custa um bom valor de energia, já que a mineração das criptomoedas gasta 130,9 terawatts-horas (TWh) por ano. Um terawatt equivale a 1 bilhão de quilowatts (kWh). Muita coisa, não é? Por conta do tamanho consumo de energia necessário para a mineração, apagões no Irã se tornaram mais frequentes. Embora fossem algo novo para o iraniano, as quedas de energia passaram a fazer parte do dia a dia do país, tanto que o presidente Hassan Rouhani determinou que a mineração de bitcoin fosse proibida no Irã durante o verão no Hemisfério Norte. Para ser mais abrangente, a proibição vale tanto para operadores licenciados, quanto para operadores não licenciados.

A Companhia Iraniana de Geração, Distribuição e Transmissão de Energia, Tavanir, avisou aos operadores que, caso continuem minerando bitcoins, eles poderão ter sua energia cortada e seus equipamentos apreendidos: “O não cumprimento se traduzirá em confisco de seus equipamentos de mineração e corte de energia”.

O quanto é consumido no país

Quem é simpático aos operadores afirma que a proibição foi causada por perseguição, já que em janeiro foi lançada uma repressão aos que mineram bitcoins. Mas independentemente de qual seja o real motivo por trás do decreto, é verdade que cada bitcoin é responsável pela mesma quantidade de energia que poderia ser consumida por uma casa nos Estados Unidos durante 48 dias. No Irã, quem opera legalmente consome cerca de 209 megawatts de energia, o que é muito menor em comparação com quem minera bitcoins ilegalmente. De acordo com o jornal local “Financial Tribune”, operadores sem licença usam em média 2 gigawatts de eletricidade.

De acordo com a Judge Business School da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o Irã é um dos gigantes das criptomoedas no mundo, já que é o sexto maior mercado de mineração de bitcoins do planeta, com 3,4% do total global.

Se realmente há o aumento de apagões por conta do alto uso de eletricidade no país, somando quem a usa para os afazeres diários e quem a utiliza para minerar bitcoin, é preciso encontrar uma solução para que esse problema seja superado, mas não é necessário investigar muito para entender o que pode resolver a situação. 

A solução que vem do sol

O fundador da rede social Twitter, Jack Dorsey, é responsável pela “Bitcoin Clean Energy Initiative”, que visa a mineração de criptomoedas por um meio que é mais correto para com o meio ambiente. Junto da empresa de criptomoedas Blockstream, a iniciativa pretende construir uma estrutura de mineração de bitcoin movida 100% a energia solar, nos Estados Unidos. A notícia veio dias depois que o Irã endureceu a discussão com os operadores, em junho de 2021.

Irã já é forte em energia renovável

Em 2019, 85% da produção de energia limpa do Irã vinha dos painéis fotovoltaicos. Na época, o país confirmou a atividade de 115 usinas renováveis em operação e mais 32 em construção. Ou seja, é possível tentar resolver a atual situação entre o país e seus operadores de bitcoin, a falta de apresentar uma solução talvez até aumente a desconfiança para os que acreditam que há uma perseguição em relação a quem opera. 

A energia solar poderia dar uma basta no que as autoridades do Irã veem como um abuso do uso da eletricidade, dando assim mais espaço não só para a mineração de criptomoedas, mas para uma expansão da energia renovável, que já é forte no país.

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